Estabelecer limites e dizer não é um ato de amor.


Mãe: O que mais queres que eu te dê

Filho: Um NÃO!


A criança (e muitos adultos que não se resolveram) por não saber o que querem, querem tudo. Não possuem ainda recursos de avaliação para elaborar e buscam apenas o que é gratificação imediata. Assim mesmo, curiosas como são, essa gratificação tem prazo de validade e novos desejos surgem toda hora.
 Mas é na frustração, na falta,  que desenvolvemos o pensamento na busca de alternativas. Se não houver frustração perderemos o interesse e a capacidade de vivenciar o aqui/agora. 
Assim como: Curta o que tem agora, para não ter que curtir na memória o que um dia teve. 
  As gerações anteriores tinham a capacidade da espera. Para se comer um doce era preciso alguém da casa colher a fruta, preparar, deixar esfriar para podermos comer. Isso podia levar algumas horas e saboreávamos por antecipação o prazer que sentiríamos, e sentíamos, inigualável. Sabíamos esperar e valorizávamos o prêmio conquistado.
Hoje, os doces vendem prontos.
Podemos e devemos como "animais Alfas temporários" que somos, dizer não, com amor. 
  Muitas vezes a criança interna de cada um se "aproxima" da criança com quem estamos lidando e cria um "diálogo" infantil. E nos comportamos da mesma maneira, na mesma tentativa inútil de uma sintonia psíquica. Impossível.
Nada mais fora de sintonia, um cuidador se tornar “amiguinho” do/a filho/a e tentar descer ao nível de compreensão da criança, para discutir nos mesmos termos.
Temos que assumir a função paterna/materna/cuidadora. Temos autoridade, porque estamos autorizados para isso. Deve ser por isso que só adultos podem ter filhos.
Hoje lidamos também com a geração dos "bem sucedidos e felizes a qualquer custo", que se preocupam mais com seus desempenhos nas redes sociais e avaliações de terceiros, com o que os outros podem pensar e com os parâmetros comparativos determinados pela mídia, pela propaganda, por isso os desencontros não ditos, os ódios disfarçados, a tolerância com ranger de dentes.
Nesses “tempos líquidos”b – Zigmund Bauman) pouca gente se preocupa com o que os faz feliz olhando para dentro, sem interferir com a felicidade do outro.
E para não assumir o ônus da criação/educação e impor limites, "liberam geral" para a criançada, porque assim, amenizam a culpa, ou melhor, a transferem para o filho, que certamente vai estar "sempre insatisfeito". Somos seres desejantes e incitados diariamente a querer mais. E então surgem as diversas denominações TDHA, Síndrome do Pensamento Acelerado, Dislexia, Anorexia, Obesidade, etc... 
Experimentemos um pouco de aconchego, de paz, de "estar com", passando segurança, através de exemplos que não é a melhor....é a única maneira de educar. Filhos pouco nos ouvem, mas vêem e sentem mais do que imaginamos. 
Junto com o aconchego, o amparo que protege e ao mesmo tempo dá espaço para a criação do "eu", está o limite, o saber dizer não! As crianças do nosso tempo clamam por isso. Ajudêmo-las!

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